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04.10.2007 Inadiável António Galvão Lucas
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A evolução da economia desde meados de 2004 até ao presente tem sido, a nível geral, terrível para as chamadas PME, sejam elas de que sector forem, exportadoras ou não. Toda a gente sabe, mas desde Setembro de 2004 até à crise do ‘subprime’, passando pelo agravamento dos custos do petróleo, aumento dos custos da energia, redução do poder de compra na Europa em geral, globalização, valorização do euro face ao dólar, etc., aliás de alguma forma tudo interligado, tudo concorreu para que as empresas pequenas e médias se vissem obrigadas a reduzir margens, a “vender/exportar” prejuízos, isto é, agravando a já difícil situação financeira com que iniciaram este ciclo. No caso de Portugal, com uma política em que fundamentalmente tem tido um sucesso louvável do lado da receita, mas que procura reduzir o ‘deficit’, não actuando mais eficazmente do lado da despesa, vivendo com uma legislação laboral que não está adequada às possibilidades actuais das empresas (produções sazonais, elevados custos de financiamento, etc.), a situação é particularmente dramática. Sector a sector é possível fazer uma análise mais detalhada, mas para além de ela já estar feita, a conclusão para o todo não é, como já se disse, diferente duma análise caso a caso. Há excepções em que empresas de mão-de-obra pouco intensiva, não fortemente dependente dos custos de energia, não sofrendo demasiado com a desvalorização do USD – porque, por exemplo, não exportam para essa área, com forte valor acrescentado e trabalhando para “nichos” de mercado, ou com marcas de qualidade reconhecida (?), conseguem não só sobreviver mas até crescer e tornar-se mesmo apetecíveis, sendo em alguns casos adquiridas por empresas estrangeiras! O Governo quererá seguramente fazer qualquer coisa e terá que o fazer. Não é fácil, com as limitações existentes de toda a ordem, sugerir caminhos ou modelos, mas, a não fazer nada, estamos perante um castelo de cartas de dimensão incalculável e que ao desmoronar-se afectará, na minha opinião, toda a economia portuguesa. Os trabalhadores, os gestores e os empresários na sua maioria trabalham muito e bem, as empresas estão em média bastante bem equipadas em termos tecnológicos, mas os custos são os que são e os preços de venda não permitem a sua absorção. E não se pode dizer que é o mercado. Há, independentemente de os mecanismos do mercado quase nunca funcionarem duma forma adequada, há, dizia, muita subversão das regras, criando situações de concorrência desleal, fruto, entre outras razões, da inegável existência de economia paralela A capacidade de resistência tem sido grande e há muitos casos de comprometimento até à exaustão, inclusive financeira, dos accionistas, mas os sinais passaram nos últimos tempos de algo favoráveis para claramente negativos. É um problema para já e, ou até meados de 2008 algo muda, ou estaremos em ruptura com um aumento de desemprego (líquido) e com todas as repercussões já subentendidas quer a montante quer a jusante do primeiro elo a quebrar. À falta de melhor ideia e sobretudo susceptível de ser reproduzida num artigo desta dimensão, há a necessidade de um pacto entre o Governo e as PME, mas desejavelmente elaborado, pelo lado destas, por actores que não os tradicionais. As propostas e as soluções têm que ser totalmente transparentes, tecnicamente as mais eficazes e sobretudo moralizantes e motivadoras. Ideias como recompensar ou incentivar o sucesso e penalizar o insucesso, dosear a pressão fiscal e a nível de Segurança Social com base em critérios mais abrangentes e construtivos, reconhecer que a enormidade de recursos consumidos em acções as mais diversas, promovidas por entidades que não inovam nem se organizam para tal, é pura perda, reconhecer que o movimento associativo precisa de ser refundado, etc., são, dizia eu, ideias a pôr em cima da mesa e discutir urgentemente entre o Governo e os referidos actores, para que acções que levem à consolidação das empresas e ao aumento da sua competitividade num quadro de concorrência leal sejam implementadas. Ainda estamos a tempo de uma boa parte da sociedade portuguesa não ter que emigrar, baixar os braços e resignar-se à sua sorte, enfim tudo saídas de que ninguém beneficia.
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