18.10.2007

Globalização e ‘business angels’

Francisco Banha

 

No âmbito da Presidência portuguesa da U.E., realizou-se na passada semana uma sequência de eventos, promovidos pelo IAPMEI, que pela sua importância certamente abrirão novos horizontes para o crescimento económico.  

Especial distinção merecerá a cimeira mundial de ‘business angels’ pelo importante marco que representou na evolução da comunidade de ‘business angels’ existente em todo o mundo, através da assinatura de um memorando que deu origem à criação da Associação Mundial de Business Angels. Esta cimeira, que reuniu, no Estoril, representantes de cinco continentes e mais de 30 países – e na qual Portugal, representado através da FNABA, assumiu uma actuação incisiva e colaborante – cumpriu uma função primordial ao promover um efectivo contributo para a criação de um ambiente mais propício ao financiamento da inovação e do empreendedorismo no mundo.

Considero, por isso, ser este o momento chave para apelar aos empreendedores portugueses, à comunidade nacional de ‘business angels’ e aos organismos oficiais, uma reflexão atenta sobre o paradigma dos novos modelos de negócio e das empresas nascentes que, cada vez mais, se afirmam como as novas premissas de sucesso empresarial. E, mais ainda, como um imperativo de crescimento económico.

Atente-se que, são precisamente estas empresas nascentes que, partindo de uma ideia nascida a nível regional mas projectada para o mercado global, se revelam mais capazes de vir a influenciar os mercados internacionais, criando emprego, valor e acima de tudo inovação. Sublinhe-se que, 3 a 5% destas empresas nascentes têm capacidade de absorver entre 50 a 70% de todos os novos empregos, o que diz bem do importante papel que virão a desempenhar no futuro ao nível do bem-estar e da prosperidade das nossas sociedades.

A este propósito, refira-se que nos EUA o número de trabalhadores por conta própria aumentou cerca de 16% em apenas 3 anos, atingindo a barreira dos 20 milhões de trabalhadores, graças, em grande parte, a novas empresas que baseiam os seus negócios num elevado nível de especialização e numa grande capacidade de inovar, respondendo com rapidez e flexibilidade às necessidades dos seus clientes. Como exemplo clarificador desta situação veja-se o caso do Google que tendo nascido na sequência de uma “brincadeira” de dois jovens amigos, numa garagem no norte da Califórnia, que estavam insatisfeitos com os ‘sites’ de busca da época e que actualmente são possuidores de uma fortuna avaliada em 16 mil milhões de euros cada um.

À comunidade nacional de ‘business angels’ recomenda-se que, junto das redes internacionais de ‘business angels’, assuma uma missão actuante no estabelecimento de uma forte união que venha a resultar numa participação incisiva e concertada no processo de globalização empresarial. Efectivamente, a força motriz deste modelo de globalização depende do estabelecimento de inúmeros recursos e parcerias entre diferentes países para os quais as empresas nascentes pretendem expandir-se e no qual uma vigorosa comunidade mundial de ‘business angels’ se assume como sendo uma das estruturas mais bem posicionadas para suportar, a esse nível, a indispensável “explosão súbita” no crescimento global daquelas empresas, além do importante impulso que poderá proporcionar em matéria de investimentos transnacionais.

Há, pois, que reconhecer a nova janela de oportunidade que se abre para os empreendedores e business angels nacionais, nesta conjuntura económica cada vez mais propícia e abonatória das empresas com ambição global, capazes de criar novos conceitos e responder às necessidades crescentes dos mercados. E, mais do que reconhecer, há que continuar a potenciar, no nosso país, as necessárias condições – como seja a adopção no Orçamento do Estado para 2008 de um enquadramento fiscal favorável a esta actividade – para que os ‘business angels’ possam, de forma cada vez mais sustentada, apoiar e facilitar o crescimento das empresas nascentes com potencial transfronteiriço, sendo certo que ao fazê-lo, estarão a abrir, em igual medida, a janela global do crescimento económico e da inovação.

 

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