07.12.2007

A competitividade nacional e a questão da língua

Jorge Pacheco de Oliveira

 

 

O desempenho das empresas radicadas num determinado país depende fortemente da capacidade revelada por esse país para proporcionar às suas empresas um ambiente que auxilie e fomente a respectiva competitividade. Definido um conjunto de critérios de avaliação desta capacidade, os próprios países podem ser classificados quanto à sua competitividade. Há várias organizações internacionais dedicadas a esta matéria, publicando regularmente ‘rankings’ de competitividade das nações.

Não é difícil suspeitar que Portugal não se encontre muito bem posicionado nestes ‘rankings’. De facto, recorrendo, por exemplo, ao World Competitiveness Yearbook, que avalia cerca de 60 países, publicado pelo Institute for Management Development, ou ao Global Competitiveness Report, que aprecia cerca de 130 países, publicado pelo World Economic Forum, as conclusões não são animadoras. 

Para além de uma posição pouco confortável, a rondar o 40º lugar em ambos os casos, o que é mais preocupante é que Portugal tem vindo a descer nestas tabelas desde há vários anos. A responsabilidade não será apenas do actual Governo, mas também este não fica bem na fotografia. No relatório do World Economic Forum, para 2007/08, do conjunto de “factores problemáticos” para a actividade das empresas em Portugal, o mais gravoso é a “Ineficiente Burocracia Governamental”. Para um Governo que anda há mais de dois anos a pregar-nos a eficiência e a prometer-nos a reforma da administração pública, não é lá muito prestigiante.

Mas não sejamos facciosos. A verdade é que este Governo tomou uma das medidas que mais podem fazer pela competitividade nacional: introduziu o ensino do inglês a partir da escola primária.

De facto, os dois outros factores que mais prejudicam a nossa competitividade são a “Rigidez das Leis Laborais” e a “Impreparação da força de trabalho”. Se o segundo pior factor pode incomodar alguns empregadores, o terceiro é muito mais inquietante porque desvaloriza o activo potencialmente mais valioso de um país: a sua população.

Numa economia cada vez mais globalizada, a competitividade de um país depende, em boa medida, da facilidade de comunicação com os nacionais dos outros países. A língua constitui um suporte privilegiado para a transmissão de informação e o inglês, como é sobejamente conhecido, ocupa hoje uma posição predominante, sem paralelo com qualquer outra língua. Mérito dos ingleses e dos norte-americanos, que devemos reconhecer com todo o ‘fair-play’.

Se queremos tornar-nos um país verdadeiramente competitivo, o inglês tem de ser dominado por todos nós com a mesma facilidade com que dominamos o português. Para isso, só existe um caminho: aprofundar a aprendizagem da língua inglesa e, dentro de dez ou quinze anos, declarar o inglês como a segunda língua oficial do país.

A questão da língua tem que ser analisada com a razão e não com o coração. Em lugar de nos preocuparmos com a promoção externa do português, melhor faremos em guardá-lo para nós próprios, como a nossa língua materna, tudo fazendo para impedir a sua deturpação, rejeitando a delirante TLEBS e o estafado acordo ortográfico que uns académicos iluminados nos querem impor.

À luz destes princípios, justifica-se que não tenhamos de pagar o ensino de outras línguas estrangeiras, para além do inglês, nas nossas escolas públicas. As intenções do comissário europeu do multilinguismo, que quer pôr os europeus a aprender uma pipa de línguas, incluindo o chinês, o russo e o árabe, não fazem qualquer sentido. Nem a existência deste comissário. Já faz sentido, embora tenha suscitado a reacção nacionalista de alguns portugueses, a decisão de George Bush relativamente à recusa do ensino oficial do português nos Estados Unidos.

A existência de muitas línguas no planeta resulta de circunstâncias históricas compreensíveis, mas num ambiente de globalização cada vez mais alargado, esta situação não pode perdurar. É de esperar que os nossos descendentes, num dos próximos séculos, se surpreendam com a paciência que tivemos para suportar uma tal confusão durante tanto tempo.
 

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