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24.01.2008 Capital de risco universitário Francisco Banha |
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Tem-se vindo a
reconhecer, gradualmente, a necessidade de fomentar e melhorar
em Portugal o binómio universidade/empresa, tendo em conta o
grande fosso ainda existente entre o conhecimento cientifico que
as universidades geram e a transformação desse mesmo
conhecimento em oportunidades imediatas para se comercializar
novos produtos e serviços capazes de alcançar diferenciação no
mercado.
No entanto, apesar de há muito se encontrar traçado o “diagnóstico”, o certo é que a “terapêutica” continua por iniciar. Isto porque, inexplicavelmente, continuam por criar mecanismos financeiros que permitam operacionalizar esse cruzamento de interesses entre o mundo das empresas e as universidades, tendo em conta que algures no meio haverá um encontro feliz, a bem da competitividade a longo prazo das empresas e da Economia. E o mecanismo financeiro que se afigura mais idóneo para transformar I&D produzido pelas universidades em inovação empresarial será a criação de fundos universitários ‘seed capital’, com o envolvimento concertado do Estado, universidades, SCR, FCR, ‘Business Angels’, incubadoras, parques tecnológicos e outras entidades privadas, através dos quais sejam canalizadas para as universidades verbas e conhecimento empresarial que permitam converter o fluxo fértil de ideias e inovações em novos negócios, criando, assim, condições para diminuir o efeito “vale da morte” a que se encontram sujeitas muitas inovações promissoras mas que nunca chegam a alcançar o mercado. E esta realidade já há muito se encontra perfilhada por outros países. Inglaterra representa um excelente exemplo, na medida em que, desde 1998 – data em que foi criado o 1º University Challenge Competition, com uma verba inicial de 64 milhões de euros, 37 universidades envolvidas e 81 investimentos efectuados – tem utilizado o capital de risco no financiamento de projectos universitários com aplicabilidade empresarial como o demonstram os investimentos efectuados na Solexa (adquirida pela Ilumina Inc (NASDAQ: ILMN)), Smart Holograms, Daniolabs, Bluegnome, Genapta, CellCentric, Lumora e a Psynova. Outro exemplo clarificador do processo de ligação da comunidade financeira e empresarial às universidades, foi dado pelo Estado de Oregon, nos EUA, o qual, em 2007, criou a figura do “University Venture Development Fund”, constituído por cada uma das 8 universidades a actuar ao nível das áreas da ciência e investigação, com uma dotação total de $14 milhões, repartida por cada uma delas de acordo com o seu respectivo grau de envolvimento. Esta iniciativa, foi lançada através de um Programa de Incentivos Fiscais aplicável a pessoas singulares e empresas decididas a apoiar iniciativas universitárias de I&D, tendo em vista a criação de comunidades dinâmicas capazes de transformar as descobertas de hoje nos negócios de amanhã. Também as parcerias, Governo – universidade – indústria – estabelecidas no âmbito do referido Fundo focalizaram-se nas iniciativas de investigação, educação empreendedora e transferência de tecnologia, tendo em vista assegurar a transposição das melhores ideias geradas nas universidades para o mercado, a bem da Economia e do bem-estar social.
Os exemplos citados,
aos quais se poderiam somar tantos outros, como os “Cambridge
Enterprise Seed Funds”, mostram que não basta reconhecer, tal
como tem vindo a ocorrer sistematicamente no nosso país, o
importante papel que as universidades podem desempenhar no
desenvolvimento sustentado da inovação empresarial, pois mais
importante do que isso é possibilitar, sem mais demoras, o
acesso directo das universidades a fundos de capital semente com
vista à criação de empresas inteligentes resultantes das
inovações disruptivas detectadas no seio universitário. Para
tal, dos responsáveis políticos espera-se uma nova visão capaz
de reconhecer que os activos valiosos que as nossas
universidades representam são determinantes para o crescimento
das nossas Indústrias de Inovação, e bem assim, que a criação de
Fundos de Capital de Risco Universitários podem abrir a porta a
ideias de vanguarda, novas tecnologias e oportunidades sem fim
para o futuro de todos nós. |
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