|
|
07.08.2008 Francisco Banha |
|
|
Tenho vindo a desenvolver, entusiasticamente, ao longo dos últimos quinze anos, um conjunto de actividades tendentes à sensibilização da Sociedade Civil para a importância da criação de um verdadeiro Ecossistema de apoio ao Empreendedorismo suportado por uma Indústria de Capital de Risco transparente. Penso, por isso, ter a credibilidade necessária para emitir um aviso sério a todos aqueles que pretendem vir a recorrer às Sociedades de Capital de Risco, por forma a darem “corpo” aos seus “sonhos” de criação/desenvolvimento empresarial. Este sinal de alerta, é tanto ou mais oportuno, quanto se multiplicam as mensagens, sobretudo oriundas das políticas públicas de apoio ao Empreendedorismo (e bem patentes no Plano Tecnológico e no mediatizado Programa FINICIA), estimulando os jovens a ter a ousadia de criar as suas próprias empresas. Porém, estes empreendimentos, ao serem associados ao activo “Conhecimento”, necessitam de um tipo de financiamento que não se encontra ao dispor da banca tradicional. Deste facto, resulta a emergência, do instrumento CR como sendo aquele que melhores resultados permite obter no apoio aos empreendedores qualificados do século XXI, através do Ministério da Economia e Inovação ao eleger a sua capital de risco, INOVCAPITAL, como o veículo privilegiado de apoio à iniciativa empresarial. Contudo, ao fim de um ano e meio de actividade aquela Entidade ainda não conseguiu concretizar os objectivos que foram traçados, não tendo por isso a Sociedade Portuguesa, e os Empreendedores em particular, beneficiado das mais-valias que este instrumento proporciona, conforme demonstram as estatísticas da APCRI, com especial ênfase para as respeitantes ao exercício de 2007 onde apenas um projecto mereceu apoio na fase seed capital. Registe-se que, à inoperacionalidade demonstrada na concretização de novas operações, vem juntar-se a adopção de um expediente “emergente” de resolução dos problemas subjacentes aos projectos que não alcançaram o êxito, previsto nos Planos de Negócio que levaram as SCR a investirem nos mesmos. Refiro-me ao complexo instrumento jurídico da Insolvência/Falência, o qual é tanto ou mais grave quando aplicado a Projectos cujos Empreendedores até fizeram um excelente produto/serviço, fruto da sua aplicação séria e dedicada, e cuja gestão foi desenvolvida, criteriosa e ordenadamente, com o apoio de gestores profissionais, nomeados pelas SCR, que ao reportarem, tempestivamente, todas as evoluções registadas à respectiva estrutura accionista permitiram antecipar soluções, como será o caso da dissolução, muito menos traumáticas para os Empreendedores e com maior respeito pelos trabalhadores da empresa, do que esta via judicial tão hostil. Tendo o nosso País de dar passos irreversíveis na adopção de uma Cultura Empreendedora, é de estranhar tal indiferença das SCR a este enquadramento ao resolverem os problemas na óptica exclusivamente economicista e judicial, impedindo os empreendedores de encontrar alternativas que não passem por deixar morrer os seus sonhos nos gabinetes dos administradores judiciais. Não pondo em causa a legitimidade deste mecanismo da Insolvência como forma de dar resolução aos casos de insucesso nos projectos seed, é com muita preocupação que encaro os seus reflexos no âmbito do movimento do Empreendedorismo que emerge no nosso País. É preciso ter-se consciência que os projectos/sonhos dos Empreendedores Pioneiros não são só meras questões económicas, mas fundamentalmente o efeito demonstração que importa trazer para a Sociedade para que cada vez mais Jovens sejam capazes de criar a riqueza que tanta falta nos faz. Mobilizar os Empreendedores sim! E essa mobilização não passa por exemplos associados à “Falência” num País adverso ao insucesso. Isso é “matar” o Empreendedorismo e, como tal, é algo que não poderei aceitar. Eis, pois, um bom motivo de aviso para que se tomem as devidas precauções no relacionamento com as SCR! |
||
|
||
|
Comentários: |