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04.09.2008 Vítor Bento
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Os Jogos Olímpicos oferecem uma boa metáfora da vida económica. Neles concorrem atletas capacitados e com provas dadas em processos competitivos. Contudo e apesar de cada atleta levar atrás de si um currículo de prestações que permite fundar expectativas quanto ao seu desempenho olímpico, terão sempre que superar – como em qualquer outro processo competitivo – as contingências específicas de uma nova prova.
Por isso nunca há, nem pode haver, resultados garantidos. Há, quando muito, resultados prováveis. Mas probabilidades não são certezas. Haverá sempre quem fique aquém das fundadas expectativas criadas à sua volta, assim como haverá sempre quem as exceda, sendo na resolução dessa incerteza, para além do espectáculo, que reside o interesse dos Jogos. O resultado final será gerado pela dialéctica entre as contingências da prova e as capacidades – físicas, mentais e comportamentais, inatas e trabalhadas – dos atletas. Dialéctica onde a sorte, não sendo o principal factor, não deixa de ser, como em tudo na vida, um factor não despiciendo.
Processo semelhante sucede na vida económica, entre as empresas e entre as pessoas que competem, não só pelo sucesso, mas pela própria sobrevivência económica. Os resultados do passado, sendo um bom fundamento para a expectativa dos resultados futuros, nunca são uma garantia. Cada prova – cada exercício económico – é sempre um desafio onde as competências têm que ser provadas de novo. E a concorrência global gera sempre mais tensões e contingências, mesmo para quem está habituado a vencer noutros níveis competitivos.
Mas apesar do imponderável que rodeia cada prova, e que pode sempre frustrar expectativas legítimas, a repetição de insucessos constitui um desafio à lei das probabilidades e sugere que se procure a explicação dos desapontamentos, menos no aleatório e mais nos comportamentos. Analisando-os cuidadosamente, será possível detectar eventuais fragilidades, e introduzir os necessários ajustamentos correctivos que permitirão melhorar os resultados futuros. O que, mais uma vez, vale tanto para os atletas como para as empresas. Os fracassos – a não ser que repetidos – não devem que ser vistos como um resultado definitivo e induzirem desistência. Devem, antes, pelo escrutínio e pela aprendizagem que permitem, ser tornados em experiências de fortalecimento das capacidades competitivas e estímulos para procurar o sucesso.
No caso da representação olímpica parece-me que a comunicação social andou mal, com o seu vício inflacionário. Começou por alimentar expectativas infundadas, ao ponto de quase nos convencer que cada atleta poderia trazer uma medalha. O que acabou por exagerar os insucessos, levando a desvalorizar alguns resultados que, não atingindo o pódio, foram meritórios (desencorajando injustificadamente alguns atletas).
Já o Comité Olímpico pareceu-me ter andado processualmente bem ao estabelecer um objectivo alcançável – quatro medalhas e mais de 40 pontos – com base no qual negociou o apoio público e preparou um programa de preparação. Agora poderá confrontar os resultados – 2 medalhas e 28 pontos – com os objectivos e procurar as causas do seu incumprimento, para que daqui a quatro anos o resultado possa ser melhorado. Mas importa que o faça!
De entre as possíveis causas, pareceu-me ter visto presentes na comitiva sinais desfavoráveis da nossa cultura nacional e que constituem sérios factores adversos à nossa competitividade, também económica. Refiro-me à insuficiência de ambição (ou fácil satisfação), de persistência, de disciplina e de aplicação sistemática. E uma certa vulnerabilidade emocional. Para além, claro, do péssimo hábito de transferir para terceiros o que pertence à responsabilidade pessoal de cada um. Felizmente e tal como na economia, há quem já esteja muito acima dessas limitações e pertença, por direito próprio, ao escol do que melhor há a nível internacional. Devemos orgulhar-nos desses casos e apoiá-los, pois, tal como no futebol, fazem mais pela promoção do País do que todas as campanhas estatais.
Quanto aos outros, há que identificar as falhas e corrigi-las para que passem ao tal escol. O sucesso requer talento. Mas dá muito trabalho e exige muitos sacrifícios. |
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Gonçalo Gil Fernandes BANCO ESPÍRITO SANTO, S.A. Excelente título para um excelente paralelismo de patamar a atingir. Gosto muito da maneira como formula o seu raciocínio, Portugal tem muito a aprender consigo. |