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16.10.2008 Nuno Fernandes Thomaz |
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Transcrevo, traduzindo, um artigo publicado no “The New York Times” em 30 de Setembro de 1999 – repito, 1999.
“Numa decisão que pode ajudar a aumentar o número de proprietários de casas entre as minorias e os consumidores de baixo rendimento, a Fannie Mae Corporation diminuiu as exigências e os requisitos do crédito nos empréstimos hipotecários à habitação que compra aos bancos.
Esta actuação, que começa como um programa piloto envolvendo 24 bancos em 15 diferentes mercados – incluindo a região metropolitana de Nova Iorque – encorajará esses bancos a estender os créditos à habitação aos indivíduos cujo capacidade de crédito não é suficiente em termos de qualificação para empréstimos convencionais.
Dirigentes da Fannie Mae confiam em que este programa piloto se transforme num programa nacional já na próxima primavera.
Fannie Mae, a maior tomadora nacional de crédito hipotecário nos Estados Unidos da América, tem estado sob crescente pressão da administração Clinton para expandir os créditos à habitação às pessoas com rendimentos baixos ou moderados.
Em consequência, os bancos, as instituições de poupança e as especializadas no crédito à habitação têm pressionado a Fannie Mae para os ajudar a contratar mais empréstimos aos chamados “devedores subprime”. Estes, cujo rendimento, capacidade de crédito e poupança não chegam para se candidatar aos critérios convencionais para empréstimos desta natureza, apenas podem obter empréstimos das instituições financeiras que cobram taxas de juro muito mais altas – entre três e quatro pontos superiores às cobradas nos empréstimos convencionais.
(…) Ao entrar nesta nova área de crédito, a Fannie Mae Corporation assume um risco significativamente maior, que não causará quaisquer dificuldades durante tempos economicamente florescentes. Mas, como empresa subsidiada pelo governo federal, pode cair numa situação complicada em caso de abrandamento económico, obrigando o governo a uma operação de emergência semelhante à ocorrida nos anos 1980 com a crise dos “savings and loans”.
Como é sabido, a Fannie Mae, a maior tomadora de empréstimos hipotecários, não empresta directamente aos consumidores. Compra os créditos que os bancos contratam, no que é designado por mercado secundário. Ao expandir este tipo de empréstimos, a Fannie Mae confia poder incentivar os bancos a efectuar mais empréstimos a pessoas sem qualificação para o crédito convencional.
Os dirigentes da Fannie Mae sublinham que estas novas hipotecas devem ser estendidas a todos os que qualifiquem para o crédito hipotecário. Mas acrescentam que esta nova estratégia pretende aumentar o número de proprietários pertencentes a minorias ou grupos de baixo rendimento que tendem a ter pior capacidade de crédito do que os brancos não-hispânicos.
A propriedade de habitação explodiu, com efeito, entre as minorias durante o boom dos anos 1990. O número de hipotecas contratadas com os hispânicos aumentaram 87.2% de 1993 a 1998, de acordo com o Centro de Estudos da Habitação da Universidade de Harvard. Durante o mesmo período o número de afro-americanos que obtiveram empréstimos hipotecários para aquisição de casa aumentou 71.9% e o número de asiático-americanos aumentou de 46.3%.
Em contraste, o número de brancos não-hispânicos que obtiveram empréstimos para habitação aumentou apenas 31.2%.
Apesar desta evolução, a percentagem de proprietários pertencentes às minorias continua inferior à dos brancos não-hispânicos, em parte porque os negros e os hispânicos tendem a ter em média piores notações de crédito.
Esta mudança de política acontece simultaneamente com a investigação desenvolvida pelo Departamento de Habitação sobre a existência de alegada discriminação racial nos sistemas utilizados pela Fannie Mae e pela Freddie Mac na determinação da capacidade de crédito dos peticionários”. (fim de transcrição)
Sem comentários políticos ou eleitorais, aqui fica esta contribuição para a história da crise do “subprime”... |
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