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28.05.2009 Luís Mira Amaral
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Segundo o World Economic Forum (WEF) teremos fundamentalmente 4 cenários possíveis para a evolução do mundo na pós-crise: I- PROTECCIONISMO FRAGMENTADO, com mudanças lentas de poder do bloco ocidental para os países emergentes, com severas restrições aos movimentos de pessoas, bens, serviços e capitais, em que cada país se fecharia sobre si próprio levando a uma dinâmica de proteccionismo que agravaria ainda mais a crise; II- REGIONALISMO FECHADO em que teríamos rápidas mudanças do poder do bloco ocidental para o bloco emergente mas em que o Mundo ficaria dividido em três blocos dominantes – NAFTA/EUA, UE e Bloco Ásia/China - obrigando as empresas globais a terem estratégias distintas para cada bloco, única forma de operarem globalmente; III- RENOVADO CENTRISMO OCIDENTAL, com lentas mudanças de poder do bloco ocidental para os emergentes e políticas económico-financeiras harmonizadas globalmente mas ainda sob liderança americana; IV- NOVO E REBALANCEADO MULTILATERALISMO, com mudanças rápidas de poder do ocidente para os emergentes e políticas económico-financeiras harmonizadas globalmente, mas acomodando já a visão e as necessidades do bloco emergente.
A recente cimeira do G20 aponta para o cenário IV mas nesse cenário o mundo será gerido claramente por um duopólio EUA-China (G2) devido ao vazio europeu e ao facto dos EUA e China se terem tornado profundamente interdependentes do ponto de vista financeiro. Os EUA compram produtos chineses e a China compra títulos de dívida americana para evitar a apreciação da moeda chinesa contra o dólar, o que prejudicaria a competitividade das suas exportações. Mas ao fazê-lo, a China financia o défice externo americano e acumulou reservas da ordem dos 1.4 triliões de dólares (1 400 mil milhões). A Europa seria o único bloco à escala global com músculo económico-financeiro para fazer face a esse duopólio.
A UE foi lenta a reagir à crise e a Comissão Europeia não teve qualquer visão estratégica. A Europa limitou-se a esperar pelo que os EUA e a China fariam. Das três instituições da “governance” europeia em Bruxelas, Comissão Europeia, Conselho Europeu e Parlamento Europeu, a Comissão tem vindo a perder poder para o Conselho Europeu, tendo-se transformado numa espécie de Secretaria Geral desse Conselho, e o seu Presidente passou a ser na prática um Administrador-Delegado do Directório Europeu formado pelos grandes Estados-Membros.
Às vezes critica-se o Banco Central Europeu na gestão da crise mas esquece-se que a Comissão assistiu sem iniciativa e sem estratégia ao começo da crise e foi só com o impulso de Sarkozy que se começou a resposta global à situação dos bancos europeus, indispensável numa zona com liberdade de circulação de capitais. Antes, cada país tomava medidas unilaterais, o que levou o Estado Irlandês a garantir os depósitos dos seus bancos e por via disso, não tendo os ingleses feito o mesmo, o dinheiro saia dos bancos ingleses para os irlandeses.
Neste contexto, o Dr. Soares inquieta-se e diz que, se não há melhor na Europa, com este Presidente da Comissão a Europa não vai longe e Helmut Schmidt, esse grande chanceler alemão do SPD, diz que o Banco Central Europeu é a única instituição que funciona. Tranquilizo o Dr. Soares, dizendo-lhe que, conhecendo bem o produto, até em Portugal teríamos melhor! Também subscrevo a posição de Helmut Schmidt, reconhecendo o bom trabalho do BCE que foi pioneiro na injecção de liquidez nos bancos, embora tenha errado na subida das taxas de juro no dealbar da crise. O BCE gere uma moeda que não tem Estado (ou que tem muitos Estados) ao contrário do FED, o que faz toda a diferença e cria grandes dificuldades ao BCE.
Em suma vamos ter, face ao vazio europeu, o G2 e bem poderíamos dizer que, depois do referido Senhor nos ter tramado a nós portugueses quando era nosso Primeiro-Ministro, se ele for reeleito, parafraseando a excitante dupla Vital Moreira – Rangel, nós, os europeus, estamos tramados! |
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