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18.06.2009 Pedro Ferraz da Costa
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1. É voz comum dizer-se que na campanha para as eleições europeias não se falou da Europa, mas da política nacional. Pode, de facto, ter-se falado de menos da Europa, mas não é verdade que se tenha falado da política nacional em termos de se saber o que serão as propostas dos diferentes partidos para se sair da crise e sobretudo como aproveitar a retoma para que Portugal não se afaste irremediavelmente dos padrões de bem-estar do resto da Europa. É urgente que essas propostas surjam agora para que se discutam. Quais são os problemas que afectam as nossas perspectivas futuras.
2. Em primeiro lugar o estado da justiça. Leis em excesso, de má qualidade e contraditórias, justiça lentíssima, impunidade que estimula a corrupção e péssimos hábitos de pagamento, contribuem para o baixo investimento privado, nacional e estrangeiro e má atitude em relação a trabalho sério e esforçado - ninguém melhora a sua vida a trabalhar, dizem muitos.
3. Em segundo lugar um endividamento externo crescente. Como reduzi-lo? Deixou de ser possível pensar que a ultrapassagem da crise pelo núcleo mais forte da UE arrastará exportações de sectores ultrapassados pela globalização por forma a reequilibrar a balança e pagar os juros da dívida actual. O que fazer que possa substituir o efeito rápido, mesmo que só temporário, de uma desvalorização?
4. Mesmo que se possa compreender actualmente a necessidade de alguma sustentação da procura interna pela despesa pública é essencial avaliar os resultados do que já se gastou e vai gastar - e que nos vai aliás sujeitar de novo a um procedimento por défice excessivo pela Comissão, o que também é mau para o ‘rating' - mas sobretudo apresentar um plano realista para reequilibrar as finanças. O Presidente Obama já o está a fazer, a senhora Merckel propôs uma alteração constitucional para limitar o ‘déficit' estrutural do orçamento a 0,35 do PIB em 2016 e o Partido Conservador Britânico quer criar uma entidade independente para avaliar os planos orçamentais do Governo. Os países que tinham à data da entrada da crise melhores situações orçamentais reagiram melhor. E entre nós o que propõem os partidos? Continuarão a criticar o que chamam de políticas "economicistas" e a achar que "há vida para além do ‘déficit'"? Para eles talvez, mas para os desempregados...
5. É possível melhorar a situação financeira do país e do Estado sem crescer? Todos sabemos que não. Na última década, apesar dos juros baixos e crédito super abundante, tivemos uma ‘performance' baixíssima - o menor crescimento da UE. Como mudar este estado de coisas? São necessárias políticas de apoio à oferta - salários reais adequados às condições de competitividade externa de cada sector, condições de contratação e despedimentos mais flexíveis, ensino mais orientado para a vida activa e para a reciclagem periódica de conhecimentos, com grande enfoque nas necessidades e capacidades das PME, sector que permitirá ou não reabsorver o nível de desemprego a que chegaremos ao longo da crise. A consulta dos índices internacionais de competitividade mostra bem onde temos de melhorar.
6. O que propõem os partidos quanto à fiscalidade? A fiscalidade tem uma importância estratégica sem precedente porquanto é o único instrumento macro-económico, decidido a nível nacional, com potência para actuar sobre as desvantagens da localização geográfica, da dimensão do mercado nacional, da falta de tecido industrial forte ou de mão-de-obra qualificada. É urgente criar novas fórmulas de IRS e IRC que consagrem medidas de apoio à criação de riqueza a partir de Portugal, à dinamização das exportações e à inovação tecnológica nas PME.
7. Se estes temas não forem apresentados e discutidos será difícil saber se vale a pena votar e em quem. |
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